O Charme Medieval de Lübeck

Serenidade parece ter sido a opção desta cidade depois de um passado glorioso enquanto foi a capital da famosa Liga
Hanseática, uma aliança económica entre várias cidades do norte europeu que
controlava o comércio nos mares do Norte e Báltico, durante a Idade Média, ou
de um passado de tragédia com a destruição da cidade nos finais da Segunda
Guerra Mundial. Bombardeada pela RAF, ficou arrasada com os numerosos incêndios
subsequentes, alimentados pela madeira de que eram constituídas,
essencialmente, as construções de uma cidade que teve a sua origem no Séc. XII.
Restaram as estruturas de tijolo e belas
fachadas de muitos edifícios entretanto tão bem recuperados. Lübeck é,
actualmente, uma cidade de grande interesse cultural. Com turismo quanto baste,
pelo menos na primeira semana de Setembro em que a visitei, apresenta-se
tranquila, fácil de percorrer a pé pelo turista, sem necessidade de recorrer a
qualquer transporte público. A vida dos residentes desenrola-se com a calma
própria das cidades de média dimensão em paralelo com um discreto acolhimento
aos visitantes. Lübeck possui um fabuloso património de arquitectura gótica de
tijolo que lhe granjeou a eleição de Património da Humanidade pela UNESCO. De
rua em rua, sempre presenteada com lindas fachadas de causar admiração, os
pináculos verdes em contraste com a cor do tijolo das torres da Catedral e da formosa e imperdível Igreja de Santa Maria, vão-me
servindo de guia neste itinerário de charme que a cidade oferece. Mas o pasmo
não fica por aqui! A estranha arquitectura do edifício da câmara municipal, a
Rathaus, mais uma vez me fez estar de cabeça levantada, ou o fantástico
Heiligen Geist Hospital, um hospital medieval onde foi possível visitar apenas
o bonito átrio, embora o edifício, por si só, seja mais que suficiente para ser
incluído na lista dos vários ex-líbris a guardar numa bela fotografia.
Neste deambular pelas ruas mais
estreitas de Lübeck onde ocorrem, por vezes, magníficas concentrações de
edifícios em tijolo, é tão fácil imaginar o rebuliço mercantil do tempo da Liga
Hanseática: As pipas da cerveja artesanal dos monges Beneditinos de Weihenstephan
a caminho do porto de onde seguiam para outros destinos; as mercadorias várias
que entravam e saíam da cidade como os tecidos de lã, as sedas vindas do
oriente, os cereais, o sal, tão bem representadas no Museu da Liga Hanseática;
O movimento dos almocreves pelas admiráveis portas da cidade, a Holstentor e a
Burgtor de arquitectura muito interessante. Imaginamos, também, a Lübeck do Séc XIX como o cenário perfeito para os Buddenbrooks, personagens do
romance com o mesmo nome de Thomas Mann, um dos filhos ilustres desta cidade
charmosa e romântica.
O esplendor mercantil de Lübeck
foi-se dissipando no tempo. Hoje, ela está voltada para um turismo cultural
gerido com prudência e tem os famosos e deliciosos doces de massapão a
disputarem um lugar cimeiro no seu actual comércio.
Manuela Santos
